O Tempo vem a minha janela brincar comigo me diz que não é mal esperar. Em louca ansiedade, só me sobram angustias... ele, o Tempo, sorri demoradamente. Diz que não há semente que brote instantânea, que a germinação tem que ser demorada; - Assim a busca pela luz é certa e as raízes são firmes! - Há males na espera?, o que seria então a esperança? uma coisa ruim? a espera com a aliança da fé é a pura magia; isso tudo eu posso lhe trazer. Não espere que eu passe direto, ou com pressa. Eu sempre vou parar e contemplar você, lhe saudar e dizer que apenas comigo, o Tempo, se saram os castigos, se fazem os amigos, se pereniza um amor. Sem desfazer o longo sorriso, ele me olha mais uma vez e proclama: - Seja meu amigo e terá também ao seu lado a senhora paciência, o senhor bom senso e a matriarcal sabedoria!
Nem tudo foi visto, nem tudo foi lido, muito menos foi falado. O pacote que mais pesa é aquele que não se vê. O passo mais seguro é o que muitas vezes não se dá. Ficar parado é melhor que andar para trás, andar sem direção é pior do que ficar parado. Para escolher um rumo é preciso estacionar: tem que sentar, comer, descansar e observar o entorno. Olhos esbugalhados só enchergam em linha reta. Alma infinita não tem sossego, está sempre buscando saciar a fome de um sabor indefinido. Escolhe, separa e estima; encolhe, recolhe e elimina, a busca continua. O tato não para, sempre anseia. Encontra, desfruta e desapega. Inquieta, prossegue na saga que a persegue.
Passei um dia sem sustos, sem grandes esforços, apenas a velha rotina, tudo já realizado, sobrou-me apenas o tédio. Não devo lamentar, foi bom. Os momentos de tédio tem grande valor, sem eles a sua mente não se ocupa com amenidades. Na verdade as horas entediadas são momentos criativos.
Tenho quase certeza que é do tédio que surgem grandes idéias, ninguém atribulado alucina acordado. É preciso ter tédio! aquele aborrecimento tardio, nascido da sensação de total inutilidade sempre nos aponta alguma coisa fútil e ludicamente interessante.
Sua mente, aborrecida com a desocupação do corpo ou dos deveres, se desprende e passa a observar o impossível ou o irracional. Nesse momento você tem idéias exclusivas, muitas reflexões que podem ser compartilhadas com quem não as contrai - Vamos concordar que refletir no tédio é contrair um pensamento!
Algumas pessoas deveriam ser muito bem pagas pelo exercício criativo do tédio, essas pessoas são essenciais àquelas que não possuem tempo ou pré-disposição a exercê-lo, tais pessoas são os consumidores ideais do surto lúdico alheio, via de regra devoram o enebriar do outro, que foi construído em longas horas de absoluta ausência de qualquer ocupação, e fazem isso de uma forma instantânea, momento em que extraem de si mesmos uma risada, um suspiro, algumas lágrimas curtas, por descobrirem que lá dentro, bem no fundo, possuem o potencial para ter aquela revelação trazida pelo tédio do outro, mas não foi capaz de contraí-la sozinho.
Fiquei feliz com o meu tédio, limpo, preguiçoso e eloquente, mostrou a mim a sua face mais valorosa, fez nascer revelações compartilháveis, reflexões criativas! que depois de publicadas aqui, certamente serão consumidas por alguém, que no seu ínfimo e angustiante minuto de nada para fazer, buscou se ocupar, se enrredando na "WEB", lendo um texto, uma prosa ou um verso postado nesse mundo virtual, e acabou achando ali, no produto espontâneo do tédio alheio, o saciamento para o seu próprio tédio.
O dia em que o amor nasceu ele pediu a Deus para durar, mas Deus lhe disse que a eternidade só pertencia a Ele próprio, Deus, Aquele que sempre foi e sempre será.
Ele sentou-se ao lado do amor e explicou a ele que não lhe concederia a eternidade, pois a eternidade é egoísta e auto-suficiente, a eternidade não se renova e não envelhece. O que é eterno não pode nascer, nem crescer, nem se renovar ou multiplicar, porque já se basta. Sempre existiu. Sempre será.
Deus olhou o amor de frente e lhe disse, você é a melhor parte de mim, não vou lhe negar totalmente esse pedido, eu lhe mandarei para a humanidade, para que em você ela possa se reconhecer divina. Você lhes trará alegrias e tristezas, os fará grandes e os reduzirá a quase nada. Você, para estar sempre puro e belo, terá que se extinguir, se renovar, renascer, se dividir, coexistir, sem monopolizar. Será tão intenso na vida dos homens, que tomará formas infinitas e provocará neles memórias perenes, concretizadas em cantos, em prosas e em versos, se tornando dessa forma, eterno em sua mortalidade.